Arte

Foi Isso

Foi Isso

Eu vi o barulho da chuva e respondi ao assobio do vento
Da janela, em silêncio e muito distante

Na ponta no canto um sol risonho promete
Sem surpresas e respeitei meu cansaço

Talvez um dia quando reler estas palavras eu sinta
Um arrependimento profundo de não ter sorrido

De não ter saído até ali naquela chuva
Respeitado demais as regras da normalidade

Saí antes que fosse tarde
Antes que a chuva pare

Antes que o sol surja na ponta no canto
Antes do silêncio engolir nossas vontades

Vi a água bater nos meus óculos
Desses para ver de perto

Tão, tão perto que me diz
Pendurado nas orelhas

Que ando afogado em distâncias
Tantas e tantas torturantes

É aqui comigo quem me pergunta
Quem me cochicha verdades
O frio entrou até alcançar minha pele
Fez luta com meu calor

Me tirou de dentro de forma abrupta e senti
Isso que evitava, que fugia sem saber, sem querer

Tive memórias de um princípio só meu
Que a chuva faz parte de viver

Já fui sozinho nos boicotes aos guarda-chuvas
E um orgulhoso das meias encharcadas

Já fui mais louco e os riscos eram aqui fora
E palavras nem molhadas darão conta da vida

Lembrei e foi aí que sorri aqui dentro
Me encontrando ali

Batendo uma foto
Para ilustrar o poema

Guardando um segredo
Para reler um dia

E não me arrepender
Que o sol só promete

Foi isso.

Wagner Rengel

Wagner Rengel quis ser silêncio depois pássaro depois peixe depois vento depois grilo quis ser gente depois nada. Mora em Curitiba.

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