A FESTA EN QUE TODO MUNDO VAI

Certa vez, com o Natal se aproximando, um amigo me contava de sua ansiedade para os festejos, algo que me surpreendeu pois ele não era de religião cristã. Ele me respondeu que aguardava o evento natalino por ser “a festa em que todo vai”. Os tios do interior se esforçam para estar presentes, os irmãos distantes se aproximam e é a oportunidade de reencontros aguardados em todo o ano.
E pensei se não é isso também a Copa do Mundo. A Festa em que todo mundo vai! A festa em que podemos nos unir aos amigos que torcem e vibram pelo mais odioso rival. Na Copa, a gente torce junto. O país parece desacelerar o passo para, em seguida, correr na mesma direção. E o destino final é sempre a vibração coletiva a cada gol marcado.
Mesmo quem não acompanha o futebol no dia a dia acaba capturado pela atmosfera magnética dessa época. Há uma força invisível que muda as cores das ruas, se não estiverem pintadas de verde e amarelo, e todos aparecem no dresscode voltados para a festa. É o único momento em que deixamos de lado nossas suas divisões futebolísticas e nos unimos em uma urgência real de torcer para a Seleção.
O dia de trabalho e o dia letivo são interrompidos formalmente, como um feriado. Ou como no Natal, quando o expediente termina ao meio-dia. A rotina é quebrada para que todos, do chefe ao estagiário, estejam na festa.
E engana-se quem pensa que isso é “coisa de brasileiro”: imagens das partidas exibidas ao redor do mundo apontam o tamanho da Festa em que Todo Mundo Vai! Cristãos, Muçulmanos e até Budistas param tudo para acompanhar as disputas esportivas.
Como uma boa festa, não pode faltar música. Cada edição de Copa do Mundo tem sua própria trilha musical, que vai desde o “Waka Waka” de Shakira, hino máximo de todas as Copas, aos sambas e batucadas que acompanharam alguns dos principais títulos da nossa seleção.
Entre canções de Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho e outros ícones, invoco aqui a sabedoria do mestre Martinho da Vila, que resumiu perfeitamente o espírito da Festa que acolhe a todos, sem distinção de dores ou realidades em “Canta, canta, minha gente / Deixa a tristeza pra lá / Canta alto, canta forte / Que a vida vai melhorar / Quem canta seus males espanta / Lá em cima do morro / Ou sambando no asfalto “
A Festa que Todo Mundo Vai, obviamente não é para todos. Nada neste mundo é. Mas torcer, não exige convite formal, condições especiais, local apropriado ou conjunturas estruturais. Com alguma disposição podemos esquecer um pouco as mazelas e curtir com “os nossos”, pois apesar de todas os nossos desafios e desencontros cotidianos, sempre haverá noventa minutos em que estaremos na mesma festa.

Comentários:
Esse jornalista é uma sumidade, um senhor especialista ao fazer essa comparação, citando que momentos felizes podem ser compartilhados, com respeito entre os seres humanos , sem importar país, religião, cor … reunidos em “uma festa que todos podem ir”.