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Opinião

ANCELOTTI: CULPADO

ANCELOTTI: CULPADO

Contávamos 68 minutos quando subiu a placa: Neymar vem pro jogo. Não era só ele: também Danilo, o do Botafogo. Saíram Bruno e Rayan. Perguntei a mim mesmo: em que posição entra o Neymar? E respondi só pra mim mesmo: posição nenhuma. Neymar não marca, não “ataca os espaços”, não serve de referência no ataque. Ele vaga pela intermediária. Visita as laterais como quem faz um passeio em Corupá. Parece um pedestre bêbedo atravessando as highways da cancha.

Não era só isso: com Neymar no time, Endrick também perdeu a posição. Coube a ele a função do Rayan: fechar o lado direito de nossa defesa. Ele não faz bem isso. Danilo, o do Flamengo, não deu conta da marcação no setor. Os dois gols noruegueses saíram dali. Endrick, que havia entrado pra ser um novo Romário, acabou nos arrabaldes do campo como um Josimar. Com todo o respeito ao Josimar.

Aí o time desmoronou. Até porque cansou. Esse cansaço também foi por culpa do italiano. O Brasil escolheu dar a bola pra Noruega. Marcou em linha baixa pra ter os contragolpes. Deixou que eles ditassem o ritmo. Perguntei a mim mesmo: até quando vamos jogar desse jeito? A que altura da partida o Ancelotti vai pôr o time pra cima? Contávamos 68 minutos quando enfim tive a resposta: ficaríamos o jogo inteiro correndo atrás da bola. No calor escaldante de Nova Jersey, tínhamos o dever de levar os nórdicos a uma exaustão saariana. Acabamos nós de língua de fora.

Carleto é novo nesse negócio de Brasil. Tem que entender que não estamos acostumados a isso. Mesmo na copa de 90, a última em que perdemos nas oitavas, perdemos pra Argentina – a então campeã – e mandamos no jogo. A derrota de ontem foi ridícula. É verdade que essa geração não é das melhores. E que tivemos muitas baixas: a seleção com mais desfalques. E que a rigor podíamos ter matado o jogo: tivemos três ou quatro chances claríssimas. Ainda assim, não esperávamos nada menos que um amasso nos loirinhos remadores. Perder é do jogo. Ter medinho da Noruega, não.

A culpa é do Ancelotti. Ele é culpado deste crime hediondo: a covardia. Segue como treinador do escrete. Talvez ainda dê certo: burro ele não é. Mas tem que entender nossa indignação.  Tem que ouvir o rugido alto da massa. Tem que ter coragem. Eu faria constar da cláusula primeira do contrato: “avança o time, marca sob pressão, a bola é nossa”. Ele que entenda essa obrigação com com o país que o contrata. Ele que cumpra – ou caia fora.

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