Opinião

Charles Zimmermann: Ler é muito bom!

Charles Zimmermann: Ler é muito bom!
Alfons Morales/UNSPLASH

Numa época em que livros parecem empreender uma árdua batalha contra as redes sociais, a ideia de uma pessoa conseguir, tão rapidamente passar da indiferença para uma paixão devoradora na leitura é, infelizmente algo improvável. Dados do ministério da cultura indicam; para as pessoas que leem menos, o volume de leitura também está diminuindo. Numa recente edição da revista Exame, comentários de entrevistados em cargos de chefias revelam que seus subordinados são cada vez mais fracos quando se trata de citar uma leitura básica ou da compreensão de um assunto. “A capacidade de decidir, de analisar, de independência perante uma situação problemática, parece que as pessoas ficam paradas, sem ação”, comenta o entrevistado da revista. O que fazer diante disso? Perde-se a esperança de as pessoas um dia ainda serem atraídos para a literatura? E, o que leva alguém a amar tanto um livro que decide querer mais e mais leituras? Não existe uma resposta empírica. A gestação de um leitor fiel e comprometido é, em alguns aspectos, um processo mágico, formado em parte pelas forças externas, mas também por uma luz dentro da imaginação. Ter pais que leem, ajuda muito. Livros pela casa ou ver um dos dois lendo é certo que o filho irá questionar o que existe dentro das daquelas páginas.  Professores devotados também podem influir. As idas a biblioteca para alguma atividade ou apenas leitura é algo inesquecível. Façamos essa pergunta nostálgica a nós mesmos.

Acredito que o livro certo para o momento certo pode despertar um hábito para toda a vida. Um despertador, eu diria. O momento que você encontra “aquele” livro, o determinará para o resto da sua vida na leitura. Seria como uma droga, num sentido positivo. Se a pessoa tem o livro que a faça se apaixonar pela leitura, ela vai querer outro depois. Quanto mais jovem esse processo acontecer, melhor será. Sou contra os livros de literatura brasileira complexos serem solicitados para estudos para vestibulares. Se a pessoa não tem o habito da leitura, aí que não vai querer ler mesmo. Deveria se buscar um outro método avaliativo literário nesse momento da vida. 

Acredito que devemos começar a ler, ler qualquer coisa. Sou uma pessoa que se despertou para a leitura tarde, com vinte anos de idade, num momento que tinha interesses e curiosidade por serras, por serras, montes nevados. Mergulhei definitivamente na paixão pela leitura. Devorei literaturas ligadas ao tema. A consequência disso me levou a buscar literaturas sobre pessoas, povos, países. Uma coisa leva a outra na literatura, sempre. E a consequência disso é o conhecimento, é tolerância, melhora no seu “se expressar”, aumento no vocabulário e uma saída para qualquer situação que nos deixa para baixo. Como dizia um sábio; quem lê, viaja. E é uma pessoa mais difícil de ser manipula com promessas vagas, notícias falsas. 

Jaraguá do Sul é uma cidade que muito pouco se vê pessoas na companhia de um livro, seja nas ruas, num café, num parque… E para quem quer ir ao encontro desse companheiro cheio de histórias pra contar chamado livro; companheiro pras horas vagas, pros momentos tristes, pros momentos alegres, ele está mais perto do que se pode imaginar… A Biblioteca Pública Municipal possui um acervo muito interessante. Inclusive dispõe de casinhas espalhadas pela cidade com livros pra você levar grátis seu companheiro. E unindo o mundo digital com a leitura, o programa Jaraguá Mais Saudável está com um projeto interessantíssimo. Através do QR code do seu celular poderás baixar livros que fazem parte da formação da literatura brasileira: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Guimaraes Rosa, entre outros. Esses livros estarão em totens do Jaraguá Mais Saudável que futuramente estarão em parques da cidade. Por enquanto você poderá baixar seu livro no totem do programa na Praça Ângelo Piazera.  

Charles Zimmermann

Professor, Escritor e Global Thinker

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