ESCOLHA

O que explica o sucesso da Argentina? Seguem alternativas. Você escolhe.
Pode ser a facilidade. O grupo fácil. O caminho fácil até as semis. A Inglaterra covarde amarelando como sempre.
Pode ser a arbitragem. O VARgentina. O padrão libertadores-década-de-70 de pancadaria. A redoma que construíram em volta do Messi.
Pode ser qualquer uma das tantas teorias conspiratórias. O amor de Infantino por Messi (ou pela grana que ele gera). O amor de Milei por Trump e Netanyahu (ou vice-versa). O amor das Big Techs pelo poder (ou o poder em si, ele mesmo o sistema que faz da copa um experimento). Capitão Ulisses, figura decrépita que veste amarelo-panfleto em rendez-vous da terceira idade no calçadão de Balneário, escreveu aqui na Abertura:
“Os grandes poderes decidem o torneio. Entre a bola e o gol há bilhões de sutilezas. Os atores do espetáculo – jogadores e juízes – vivem em algo como a máquina do Kafka, com trilhões de micro-agulhas espetando cada expressão de seu ser. Todas essas sutilezas, toda essa maquinaria, tudo isso é controlado por altas instâncias.”
Pode ser que alguma micro-agulha tenha espetado as bundas do Kane e do Bellingham, que não jogaram nada ontem. Pode ser que alguma obscura sutileza explique a burrice do Tuchel.
Mas pode ser apenas o futebol. A grande escola argentina. A mistura de técnica e força que define seu estilo. Pode ser apenas ele: Messi. E nele, no time dele, a beleza dramática da alma hermana.
No fundo a escolha é essa, sempre essa: entre o sistema e a alma.
O que explica o sucesso argentino?
Escolha.

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