Opinião

Karlan Muniz: Vivemos num mundo de MATRIX, onde a percepção vale a mais que a realidade

O ser humano não dá conta de todas as informações. No dia a dia absorvemos poucas das informações que vêm na nossa direção. Os mais espertos ainda tentam organizar o que querem consumir. Mas muita coisa passa ao largo. Se transformam em “paisagem”. E não enxergamos. Esse processo de percepção limitado é uma barreira para quem quer comunicar ao mercado. Ou a marca foge do congestionamento de mensagens, ou ela “passa batida” e o dinheiro é mal investido.

Mas tem algo ainda mais interessante para analisarmos aqui. Nossa maneira de enxergar o mundo é limitada. Uma pessoa normal domina uma meia dúzia de assuntos em seu dia a dia. Na maior parte dos assuntos, produtos, atividades e ideias, nós temos um conhecimento superficial. Sabemos um pouquinho sobre aquilo. E formamos uma percepção com esse pouco que sabemos ou ouvimos falar.

De forma geral, o consumidor é teimoso, não costuma se aprofundar em todos os assuntos. Até porque muitos dos assuntos são rotineiros e não merecem tal esforço. Em todos esses casos, o consumidor usa sua percepção para tomar decisões. Essa percepção pode até ser imperfeita, mas é a “verdade” na mente do consumidor.

Aí que quero chegar. Na maioria das vezes as percepções formadas são mais importantes que a realidade. Usamos a percepção para escolher que marca comprar, em quem votar e qual sabor de pizza pedir para a família. E não adianta vir com a pílula vermelha, como no filme Matrix. Na maioria das vezes não aceitamos. Estamos confiantes com o que sabemos.

As percepções são mais valiosas ao comportamento do que a realidade. Isso não é a deixa para uma empresa enganar alguém. Uma mentira não dura 24 horas no mundo de hoje. Isso significa que uma empresa e marca não pode apenas fazer a melhor solução ao mercado. Precisa construir percepção. Você já tomou a sua pílula azul hoje? 

Ok. Ficou estranha essa última frase.

Karlan Muniz

Karlan Muniz é publicitário, mestre e doutor em administração, professor de marketing e comportamento do consumidor. Atua como consultor para análise e pesquisa de mercado.

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