Opinião

Medina backflip

Medina backflip

Digite “Medina backflip” no google e você saberá tudo. Tudo: a grande disputa com o Filipinho, o título mundial, a manobra – acintosa, paroxística, dionisíaca manobra. Você não entendeu bem esses adjetivos? Nem eu: foi minha amiga Cármen Calon quem sugeriu. Mas veja a bateria, veja a manobra, note o momento em que ela veio e o quão decisiva ela foi. Então você entenderá tudo: os adjetivos, o surfe, o Medina. 

Terminada a primeira etapa da temporada, em Pipeline, eu pensei: a disputa pelo título mundial ficará entre John John, Ítalo e Medina. Terminada a “perna australiana”, após as quatro etapas seguintes, revi a previsão: apenas Ítalo e Medina. Aos poucos foi surgindo um novo candidato: Filipinho. Mas na verdade, intimamente, todo mundo já sabia desde sempre: o título deste ano é do Medina. Ele tá surfando daquele jeito… e quando ele surfa assim, parceiro, esquece: tem pra ninguém. 

Acontece que o título mundial deste ano se definiria numa única etapa, em Trestles, na Califa. Numa única etapa tudo pode acontecer. Tanto mais porque Medina surfaria apenas as baterias finais, numa “melhor de três”. Ou seja, duas baterias mal surfadas e já era: o título mundial ia pro saco. Então veio a dúvida: Medina vai confirmar o favoritismo? 

A dúvida se agravou quando vimos o oponente: Filipinho. O cara surfa muito. Surfou demais na bateria em que superou o Ítalo. Chegou voando na final. Tem mais: Filipinho praticamente mora em Trestles. Conhece a onda como poucos. E a onda é perfeita pro seu estilo de manobras progressivas, fluidas, performáticas. Você não entendeu bem esses adjetivos? Veja as baterias, veja as manobras que eliminaram o Ítalo e desafiaram o Medina, note o quão impactantes elas foram. Então você entenderá tudo: Filipinho é um dos grandes surfistas da história de Trestles. 

Só que ontem ele enfrentou o Medina. Foram duas baterias épicas. Ondulação consistente. Vento fraco, mar envidraçado. Esquerdas e direitas se abrindo longas. Os dois brasileiros surfando demais. Mas o Medina tava surfando daquele jeito… e aí, parceiro, esquece: dois a zero na “melhor de três”, etapa vencida, título mundial no bolso. Na bateria, faltando poucos minutos, Medina liderava com uma vantagem apertada. Filipinho assanhava-se a cada nova série. Então veio a tal onda, a tal esquerda, a do backflip: um giro vertical no ar, um novo patamar na arte das manobras, um outro horizonte no esporte. E aí acabou o campeonato. 

Medina é tricampeão mundial. Entra em um seleto grupo formado por Mark Richards, Andy Irons, Mick Fanning e, claro, Kelly Slater. O brasileiro provavelmente não chegará à marca deste último, que conquistou inacreditáveis 11 títulos mundiais. Mas é quase certo que ultrapassará todos os outros. Basta seguir surfando daquele jeito… pois você já sabe: quando ele surfa assim, parceiro, esquece! 

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