OBA-OBA

até ontem tava tudo errado. hoje a gente já tá com nove dedos na taça: o carleto é gênio & o casemiro é brabo & o neymar voltou. aliás, tudo voltou. mais que tudo, aquela confiança misturada com delírio tão tipicamente nossa. agora vai. é équiça. vem subindo a maré desse oba-oba
oba!
ótimo!
o que a gente quer mesmo é oba-obar…
tem coisa melhor que um oba-oba? tem sensação mais prazerosa? essa convicção carnavalesca, essa certeza de chegar ao máximo, que beleza rodriguiana não tem nisso? e a palavra
OBA-OBA
é tão boa, tão sonora nesse Ô-Ô que ecoa, tão suculenta quanto aquele figo maduro do zaratustra do nietzsche. oba-oba, repito, oba-oba. dá gosto de dizer. tanto quanto de sentir. a gente parece que vê a palavra na boca risonha da galera. a gente diz, OBA, e repete, OBA, e o hífen amarra os OBAS numa interjeição paroxística. aliás, e esse hífen? sem ele a mágica não rola. sem ele fica
OBAOBA
o BAO vira um ditongo e então não há o hiato abismoso insulando o segundo O. a coisa assim soa quase como aquela árvore africana: o baobá. me perdoem os moderninhos, mas tem que ter o hífen. uma ponte entre os dois lugares simétricos. uma corda entre os dois êxtases. um paquetá entre um vini e um neymar. se bem que o hífen é também um traço que divide. como se enfatizasse que os êxtases são dois & que eles se repetem & que a repetição remete a mais, muitos mais, infinitos OBAS
OBA-OBA-OBA-OBA-OBA-OBA
seis OBAS tá bom. é quanto nos basta. é o que a gente quer. bora curtir isso. bora misturar confiança com delírio. é um dom nosso. uma razão pra gente se orgulhar. uma brasilidade boa e pura como cachaça de rolha. sim, cachaça: esse oba-oba é nossa embriaguez colorida que vai até a ressaca que vier, que sempre vem, quando a gente acordar

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