Opinião

45 anos de Ronaldo: o dia em que o fenômeno foi rei na Vila Belmiro

45 anos de Ronaldo: o dia em que o fenômeno foi rei na Vila Belmiro

Na final do Paulistão 2009, ele que já brilhou em final de Copa do Mundo, foi protagonista sem fazer esforço

Após conquistar o mundo vestindo algumas das camisas mais pesadas do futebol mundial (incluindo os dois lados de Milão e da rivalidade Madri/Catalunha), Ronaldo optou pelo que hoje seria chamada de ‘last dance’ no futebol brasileiro. O campeão mundial chegou a um recém promovido Corinthians em dezembro de 2008, aos 32 anos de idade. Já estava mais do que atormentado pelas lesões nos joelhos e há mais de 10 meses não jogava uma partida profissional. Na semana do aniversário de 45 anos do Fenômeno, relembramos um dos jogos mais memoráveis de sua passagem pelo futebol brasileiro.

Claramente acima do peso e com o futebol limitado também pelas lesões, Ronaldo não tinha a obrigação de provar mais nada para a imprensa ou torcida. Já havia feito de tudo no futebol e já era considerado um dos melhores de todos os tempos. Por ter plena consciência disso, não deixou que os (tantos) problemas externos ao seu jogo aparecessem mais que seu futebol, e olha que a briga era grande.

Sem conquistar nenhuma Champions League ou Libertadores, Ronaldo jogou muito mais do que sua galeria de títulos sugere. E nessa galeria, o troféu mais importante é “apenas” uma Copa do Mundo como protagonista. Mas aqui, o troféu em questão é certamente de menor prestígio, um campeonato estadual, que ganha importância pelo seu contexto. A final do Paulista de 2009 foi mais do que especial para os livros de história do futebol bairrista. Após passar pelo São Paulo nas semifinais, o Corinthians enfrentaria o Santos de Neymar e Ganso, ainda muito jovens mas já surpreendentes.

No primeiro jogo da final, na Vila Belmiro, o Santos tinha a benção do maior de todos os tempos. Pelé estava em um dos camarotes do estádio, mas naquele dia, seu clube seria apenas um coadjuvante. O protagonismo ficou com o camisa 9 do time de Itaquera. Mas longe de ser espectador de Ronaldo, o Santos propôs jogo, e até criou as melhores chances, que pararam nas luvas do goleiro Felipe. De falta, o zagueiro Chicão deu o tom do jogo com um belo gol que abriu o placar no confronto. Naquele dia, o Corinthians não iria ser volumoso lá na frente, e sim matador.

Ainda na metade da primeira etapa, a bola aérea acha Ronaldo, que domina como Ronaldo e finaliza como Ronaldo. 2 a 0 para os visitantes e cenas de Pelé insatisfeito com seu time do coração. O rei assistia sua maior vítima em tempos de jogador, vencer o lado que defendeu. Mas no segundo tempo a insatisfação valeu de algo: Felipe, que vinha bem no jogo, falhou no chute de Triguinho, e o Peixe diminuiu. Imprevisível, o jogo dava contornos de um possível empate dos donos da casa, mas Ronaldo não se importou muito com o roteiro.

Ronaldo, em posição legal! Limpou o primeiro, por cobertura, DEMAIS, DEMAIS!!! GOLAAAÇO-AÇO GOLAÇO GOLAÇO!!!

Luciano do Valle

O momento eufórico narrado por Luciano do Valle representou o último ato da partida: um golaço de Ronaldo, que vendo o goleiro Fábio Costa adiantado, mandou por cobertura e anotou seu segundo gol no jogo. O Santos ainda teria um par de boas chances que pararam no goleiro Felipe e o placar fechou no 3 a 1 para o Corinthians. Na partida de volta no Pacaembu, o empate em 1 a 1 sagraria o Corinthians campeão estadual após 5 anos.

Mas ainda na Vila, após o jogo, aquele que por um dia sentou no trono de Pelé declarou: “É um sonho pensar que aqui o Rei fez tantos gols. É uma honra ser rei mesmo que seja por um dia na casa do Rei. Foi ótimo”

Os gols daquela tarde na Vila Belmiro.

Pelo Corinthians, Ronaldo fez 69 jogos e 35 gols, encerrando sua carreira no clube paulista em 2011.

Gabriel Oliveira

Futebol brasileiro e mundial em textos com opinião, fatos e dados.

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