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A misteriosa viagem das elefantas.

A misteriosa viagem das elefantas.

China, 2021: um grupo de quase vinte elefantes percorre o país numa jornada de centenas de quilômetros. Há alguns meses eles partiram da Reserva Natural de Xishuangbanna, no sul do país, próxima à fronteira com Laos e Myanmar. Seguiram ao norte, atravessando a ponte do grande Rio Vermelho e chegando aos arredores da cidade de Kunming, capital da província de Yunnan. Neste momento eles já estão de regresso, caminhando ao sul em direção ao ponto de partida. 

Inicialmente o grupo contava com apenas três machos adultos. Mas, cada um a seu tempo, eles se afastaram da manada. Desde então, ressalvados os filhotes, apenas as fêmeas seguem na jornada. Avós, mães, tias, companheiras. Todas lideradas pela elefanta mais sábia, provavelmente a mais velha. 

Falar de sabedoria, no caso, não é um recurso a figuras de linguagem. Os elefantes têm faculdades mentais comparáveis às dos homens. Têm uma memória prodigiosa. São capazes de se alegrar, de se entristecer, de se angustiarem. Observam uma organização social interessante, de grande consideração com cada indivíduo, em que as fêmeas têm manifesta ascendência. São inequivocamente sábios. 

Não por acaso, a viagem tem suscitado imenso interesse do público. O povo chinês nutre enorme respeito por esses animais. O Governo do país tem monitorado a viagem da manada, o que não é fácil. Os elefantes se expõem a riscos e provocam danos consideráveis. Mas ninguém ousa contê-los. Ao contrário: assistindo às filmagens captadas por drones e ouvindo os pareceres de especialistas, o público acompanha a viagem com agudo interesse. 

Há algo unânime entre os especialistas: essa viagem é rara, incomum, extraordinária. Não há explicação para a aventura das elefantas. Há teorias. As mais respeitadas apontam alterações em seu habitat natural, levando-as a sondar outros ambientes. Há também as que ressaltam a complexidade social dos elefantes, capazes de comportamentos imprevisíveis que expandem os limites de sua vivência social. Há inclusive teorias algo místicas, ou exotéricas, que veem a viagem dos elefantes como um sinal. 

Nenhuma das teorias, a princípio, está descartada. Todas se baseiam numa premissa indiscutível: as elefantas são sábias. É precisamente o objeto desse saber, que as induz a essa grande viagem, o mistério. Também nós, os humanos, fazemos isso: seguimos em grupos atrás de destinos, de verdades, de fés. Também nós agimos segundo desígnios misteriosos. Também nós podemos estar perdidos. A saga das elefantas chinesas sugere um mistério que, afinal, pode ser exatamente aquele que sempre quisemos compreender.

Gabriel Oliveira

Futebol brasileiro e mundial em textos com opinião, fatos e dados.

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