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De Imbituba para a final da Euro

De Imbituba para a final da Euro

Pênalti decisivo consagra ainda mais a temporada de Jorginho e da Itália

Após 120 minutos mais que intensos de bom futebol, Itália e Espanha decidiram a vaga na final da Euro 2020 nos pênaltis. Mas quem realmente decidiu a disputa foi Jorginho, que com o nervosismo de quem cobra um pênalti em um campeonato de fim de semana, andou pra bola e gentilmente colocou no canto esquerdo da rede, superando o goleiro Unai Simón. A frieza não assusta aos que acompanham seu futebol tanto no Chelsea quanto na própria seleção. Em ambos, o catarinense de nascimento já se consagrou.

Nascido em Imbituba, litoral sul do estado, Jorginho não chegou a brilhar em campos brasileiros. Partiu para a Itália ainda jovem, aos 15 anos, para integrar as categorias de base do Hellas Verona. Fenômeno no meio campo da Napoli de Maurizio Sarri, encantou os italianos e, naturalizado, virou peça chave de sua seleção. O mesmo Sarri o levou ao Chelsea em 2018, mas enquanto o treinador italiano ficou pelo caminho, o meio-campista ítalo-brasileiro cumpriu seu papel nas mãos dos treinadores seguintes: Lampard, lenda do clube, e posteriormente Thomas Tuchel. Foi sob comando do alemão que viveu sua melhor fase no clube inglês, sendo um dos principais jogadores do título da Champions League (20/21).

Titular absoluto na seleção de Roberto Mancini, o jogador é unanimidade entre imprensa e torcida. Segundo Diogo Rimoli, professor de português e jornalista brasileiro em solo italiano, após o pênalti decisivo Jorginho “tem sido alvo de todos os elogios. São adjetivos como frio, técnico, preciso, inteligente e com muita alma.”

Azzurra em alta

Nesta temporada, os pontos altos do volante e da seleção que defende se misturam. A classificação para a final do torneio também marca o ponto alto de uma reestruturação profunda do futebol italiano, que tem em Jorginho um de seus grandes personagens. Após ficar fora da Copa do Mundo de 2018, em um grande baque para o futebol nacional, a Squadra Azzurra mostra uma recuperação a passos largos e sem um grande craque ou destaque individual (como possuem outras seleções) mas com uma característica muito importante importante: a consistência.

Desde 2018 a seleção italiana não sabe o que é lamentar uma derrota. Os bons resultados do técnico Roberto Mancini renderam o prestígio nacional da seleção que a muito tempo não se via no país. Já são 33 partidas de invencibilidade, a maior da história da Seleção Italiana que pode também se tornar a maior de qualquer seleção nos próximos dois jogos.

Resultados positivos recentes mostram domínio não apenas contra seleções ‘modestas” (SOFASCORE)

Um dos grandes responsáveis pelo sucesso e pela consistência da seleção é o próprio Mancini: “a torcida e imprensa aqui não tem nenhuma dúvida de que o futebol apresentado pela Itália hoje é fruto das ideias do Mancini e da comissão técnica, e isso é sempre exaltado por todos”, explica Rimoli.

O próximo passo de Jorginho e da seleção se dá no domingo, quando a Squadra Azzurra encara a Inglaterra, em Wembley, na grande final da Euro 2020. Já há quem coloque Jorginho na disputa da Bola de Ouro… algo que claramente não deve acontecer (e nem faria muito sentido), mas em nada diminui a temporada de consagração de Jorge Luiz Frello.

Gabriel Oliveira

Futebol brasileiro e mundial em textos com opinião, fatos e dados.

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