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Em semana sem Brasil x Argentina: a história da rivalidade

Em semana sem Brasil x Argentina: a história da rivalidade
Maradona e Falcão disputam bola na Copa de 82

Nesta terça-feira (30) Brasil e Argentina se enfrentariam na Arena Pernambuco em jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. A maior rivalidade do futebol mundial teve esse capítulo adiado por conta da pandemia, mal gerida em maior parte do continente, principalmente no Brasil. Tudo bem que as duas seleções não vivem seus melhores dias no quesito popularidade, ainda assim, a rivalidade tem camadas que merecem atenção. Sem a partida de fato, vamos relembrar a origem dessa rivalidade ilustrada por jogos históricos, seja com triunfo brasileiro ou albiceleste.

A rivalidade entre os dois territórios é anterior inclusive à existência dos países. Remonta uma disputa de tempos coloniais entre Espanha e Portugal, as duas nações que dividiram o subcontinente sulamericano com o tratado de Tordesilhas no século XV. Segundo o cientista político argentino Rosendo Fraga, foi essa disputa territorial que culminou na Guerra da Cisplatina (1825-1828). No decorrer dos séculos, a disputa pela liderança regional no cenário internacional também esquentou as relações diplomáticas dos dois países, que chegaram a ser formalmente interrompidas.

Na Espanha em 82 o triunfo foi brasileiro, em uma vitória por 3 a 1 construída a partir da defesa em um jogo equilibrado até metade do segundo tempo.

A disputa por espaço entre os dois países ganhou corpo e inundou outros aspectos da cultura de ambos. O futebol, obviamente, não ficaria de fora disso. Com jogos memoráveis e a criação de um torneio de futebol apenas entre Argentina e Brasil, a Copa Rocca (hoje Super Clássico), solidificou a rivalidade também dentro das quatro linhas.  

Ao longo das décadas os confrontos sempre disputados entre as duas potências do futebol alimentaram ainda mais a rivalidade, seja em Copas do Mundo ou então em Copa América. Nos torneios mundiais Brasil e Argentina se encontraram em 1974 com vitória brasileira (2 a 1), em 78 na Batalha de Rosário que terminou sem gols, em 82 com uma vitória histórica do Brasil por 3 a 1, e em 1990 com triunfo argentino, por 1 a 0. 

Outro palco importante foi a Copa América, tradicional torneio que tem domínio Uruguaio em relação ao número de títulos. No torneio continental um dos jogos mais memoráveis para os brasileiros é a final de 2004, justamente entre Brasil e Argentina, quando o Brasil perdia por 2 a 1 e Adriano, o Imperador, marcou o gol de empate já nos 48 do segundo tempo. Nos pênaltis o brasileiro sorriu por último.

Na copa de 90, na Itália, foi a vez do triunfo argentino: gol de Caniggia aos 81′

Por outro lado, o antagonismo das duas camisas pode não ser tão levado a sério pelos argentinos, ou então seria uma construção supervalorizada por brasileiros. Diversos pesquisadores afirmam que os hermanos valorizam mais o confronto contra a Inglaterra, também por razões históricas claro, do que contra o próprio Brasil. Apesar da rivalidade ser reconhecida internacionalmente como a maior do futebol de seleções. 

Supervalorizado ou não, é inegável que o confronto sempre entregou lances memoráveis e personagens que contam a história do futebol. O que resta nesse período preto e branco é revisitar capítulos dessa dualidade que enriquece ainda mais o futebol da América do Sul.

Em 2004 foi a vez de Adriano deixar seu nome em um Brasil e Argentina. A ocasião: final da Copa América de 2004 vencida pelo Brasil nos pênaltis.

Gabriel Oliveira

Futebol brasileiro e mundial em textos com opinião, fatos e dados.

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