Opinião

Sem barreiras para sorrir – Alison dos Santos

Sem barreiras para sorrir – Alison dos Santos

Eu gosto de lembrar um tempo em que o Brasil simplesmente sorria. Os últimos episódios de intolerância e animosidade gratuita não correspondem ao país que é lembrado em qualquer lugar do mundo pela alegria. Ver o sorriso franco de Alison dos Santos faz lembrar esse Brasil, que enfrenta dificuldades, mas está sempre pronto para abrir um sorriso e seguir em frente.

Nos 400m com barreiras é Alison dos Santos que faz o Brasil sorrir. A marca de 46.29s registrada em Eugene nos Estados Unidos é a melhor do mundo em 2022 e veio com vários sorrisos do vencedor Alison. Neste 2022, Piu, como também é conhecido, segue invicto. Venceu todas as etapas que disputou na temporada da Diamond League e agora é medalha de ouro no Mundial. Em cada uma dessas apresentações Alison sorri, dança, luta, vibra. E sorri mais um pouco. É o Brasil que eu lembro e gosto de ver.

Nosso medalhista olímpico é o retrato de um país que quer um monte de coisa, mas que quer mesmo é ser feliz.  Alison também é carinhosamente lembrado como o “Vulgo Malvadão” por conta da música que embalou a campanha olímpica em Tóquio. Em suas primeiras palavras após o resultado de 2021 ele disse que, na emoção da conquista, se “esqueceu” da dança que tinha ensaiado pra comemorar e que “não via a hora de jogar um truco, gritar um seis na orelha do Gersão (seu pai) em São Joaquim da Barra”. Deu uma vontade enorme de ser amigo do Alison.

Alison segue “Gelado”, sem deixar que a pressão pelos resultados atrapalhe seu bom momento. Ele sorri sincero, sabe das suas responsabilidades, sabe da sua capacidade e sabe da sua história. Os aprendizados de garoto no projeto Correndo para Vencer, do Instituto Edson Luciano Ribeiro (INELUR) faz com que Alison esteja sempre preparado. Do acidente na infância, a marca que realmente ficou é a de quem não se cansa de buscar ser melhor, e ser feliz faz parte dessa busca.

Nas pistas pelo mundo, o jovem de 22 anos vem se firmando como uma lenda na sua modalidade e o desejo de entrar para história vai se concretizando degrau a degrau, dança após dança e sorriso após sorriso. Sua disputa mais acirrada atualmente é contra quem quer convencê-lo de que o strogonoff de frango é melhor do que o seu favorito que é o “de carne”. Esquece, Alison sorri e vence mais essa.

Vale muito a pena acompanhar este brasileiro que conhece bem o Brasil. Em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, Piu é a referência de quem pode chegar mais longe. Com muita simplicidade no trato com as pessoas e com as coisas que o cercam, Alison é querido até pelos adversários, espalha sorrisos e boas histórias por onde passa. A caminhada ainda é longa e a expectativa é que Alison dos Santos esteja na briga por medalha em Paris 2024, deixando escapar aquele sorriso sincero e espontâneo de quem sabe vencer.

Paulo César Guimarães

Paulo César Guimarães é estudante de jornalismo em Curvelo, no coração de Minas Gerais. Curte esportes olímpicos e quer demonstrar que esse assunto merece nossa atenção (e não só a cada quatro anos).

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