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“Alô, aqui é o Gagarin”

“Alô, aqui é o Gagarin”

“A terra é azul”: esta frase de Iuri Gagarin é poesia pura. Nenhuma pompa, nenhuma afetação, nada que não seja a linguagem essencial: apenas improviso, a mais aguda simplicidade e o olhar humano atônito diante da terra mãe. O século XX não seria o mesmo sem essa pérola. Ninguém que tenha vivido depois deste episódio, em que pela primeira vez um homem deixou o planeta, pode ser indiferente ao verso de Gagarin.

Nenhuma novidade nisso. Sabemos da sua façanha (e da sua poesia) desde que a humanidade ouviu, nas TVs e rádios do mundo inteiro, a famosa frase. O que há de novo agora, quando o episódio completa 60 anos, são os detalhes da aventura – que, por assim dizer, vazaram dos baús soviéticos.

Gagarin quase morreu na viagem. A Cápsula Vostok-1 apresentou diversos defeitos. Além disso, foi lançada a uma altura bem superior à planejada e pousou em local bem distante do previsto. Tudo isso consta de um relatório feito pelo próprio cosmonauta. Acredite: a situação esteve bem russa.

De volta ao chão, ele foi encontrado por um fazendeiro e sua filha. “Quando eles me viram no meu traje espacial e com o paraquedas ao lado enquanto eu andava, começaram a se afastar de medo. Eu disse a eles, não tenham medo, sou um cidadão soviético como vocês, que desceu do espaço e precisa encontrar um telefone para ligar para Moscou!”

Gagarin havia sido o protagonista da mais ousada aventura que a tecnologia até então permitira. E de repente estava numa plantação de batatas precisando de um… telefone. Imagine a conversa:

– Base de operações especiais da União Soviética. Quem está falando?

– Alô, aqui é o Gagárin.

– Ga-ga-ga-gárin?!

Não se fazem mais viagens espaciais como antigamente.

Vídeo da BBC sobre Iuri Gagarin

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