Opinião

Primeiro de maio

Primeiro de maio
"Operários" pintada em 1933 por Tarsila do Amaral

Primeiro de maio é dia de celebrar. A data nos convida a uma festa, a uma oferenda, a um rito de gratidão. Somos gratos por sermos trabalhadores. Somos gratos pelo dom de trabalhar. Somos especialmente gratos por sabermos, os homens, concentrar nossos esforços para a produção de bens – na acepção mais profunda que possa ter essa palavra.

Primeiro de maio é dia, entretanto, de lamentar. Somos no Brasil milhões de trabalhadores, mas muitos de nós não têm trabalho. Somos quase quinze milhões de pessoas em idade ativa e sem emprego. Em um ano, o número de desempregados no Brasil aumentou 16,9%, o que corresponde a mais de dois milhões de pessoas. Os desalentados, que são a parcela da população economicamente ativa que desistiu de procurar emprego, atingiu um número recorde: seis milhões de pessoas. De fato, o desalento é geral. 

No Dia do Trabalho o país para. O mundo para. A história dos eventos de Chicago, que motivaram a escolha desta data, é importante demais para que alguém a ignore. Porque é a história de todos nós. Ou de quase todos. E de quase todos os nossos antepassados. É a história, sempre repetida, de quem vive sob o peso de um poder que tantas vezes nos explora.

Primeiro de maio, mais que tudo, é dia de luta. Dia de resistir aos poderes que nos exploram. Dia de perseguir o grande sonho: fazer do trabalho um meio de libertação. Pois é isso, sempre, o que buscamos: ser livres. Não se trata da liberdade individualista, egoísta, pequena; mas da grande liberdade que só alcançaremos juntos, quando cada ser humano for capaz de alcançá-la com seu trabalho. É dia, hoje, de renovar esse sonho. É dia de dizer que não desistiremos de buscá-lo. 

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